Placa solar

Placa Solar Jinko é boa?

Compare a Jinko com outras marcas de placa solar no Brasil. Origem, presença no mercado e o que costuma ir para a proposta — o modelo escrito vale mais que o nome.

A ficha abaixo reúne o que dá para comparar da Jinko Solar com outras marcas — sem tratar o nome como garantia de qualidade.

Marca Jinko Solar
Equipamento Placas
Origem China
Sede Xangai
Fundação 2006
Foco Módulos TOPCon (Tiger Neo)
No Brasil Líder em volume em 2022 e 2024 (~17% de share); 2ª em GD no 1º semestre de 2025 (487 MWp)
Módulos ao Brasil (2025) 746 MWp importados (Greener)
  • Uma das líderes globais; Tiger Neo é sinônimo de TOPCon no mercado
  • Líder em módulos importados pelo Brasil em 2022 (3.065 MWp) e 2024 (3,02 GW)
  • Tiger Neo 3.0 lançado com exclusividade na Intersolar South America 2025

Introdução

Em um mercado repleto de fabricantes asiáticos disputando a preferência de integradores e consumidores, poucas marcas conseguiram construir uma posição tão sólida quanto a Jinko Solar (JinkoSolar Holding Co., Ltd). Desde que desembarcou no Brasil em 2012, a empresa chinesa não apenas se estabeleceu como uma das maiores fabricantes de módulos solares do mundo, mas alcançou a liderança no volume de módulos fotovoltaicos importados pelo país, posição que vem mantendo de forma consistente graças a uma estratégia que combina presença local, parcerias robustas com distribuidores e inovação tecnológica contínua.

Este artigo examina a trajetória da marca, seu perfil corporativo, a tecnologia por trás da família de módulos Tiger Neo e os desafios e perspectivas de sua atuação no mercado brasileiro.

Perfil corporativo: de fabricante de wafers à líder global

Fundada em 2006 em Xangai, na China, a JinkoSolar começou suas atividades como fabricante de wafers (lâminas de silício para células fotovoltaicas) e expandiu-se rapidamente para uma cadeia de valor verticalmente integrada, englobando lingotes, wafers, células e módulos solares. Em 2010, apenas quatro anos após sua fundação, a empresa abriu capital na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE: JKS).

Os números atuais evidenciam a escala da operação:

Indicador Dado
Ano de fundação 2006
Sede Xangai, China
Listagem NYSE (JKS) e Bolsa de Xangai (688223)
Capacidade produtiva total ~130 GW
Módulos entregues acumulados Mais de 380 GW
Presença comercial Mais de 160 países
Clientes atendidos Mais de 3.000 (em ~190 países)

A empresa é membro da chamada Silicon Module Super League (SMSL), grupo formado pelos maiores fornecedores de módulos fotovoltaicos cristalinos do mundo, ao lado de Canadian Solar, JA Solar, Trina Solar e Hanwha Q Cells. Mantém ainda um centro de P&D considerado um dos maiores da indústria, com mais de 250 cientistas dedicados ao avanço da tecnologia fotovoltaica — investimento que se traduziu recentemente em um recorde mundial de eficiência em células tandem de perovskita, de 33,24%.

O contexto brasileiro: um mercado de escala mundial

A estratégia da Jinko no Brasil só pode ser compreendida diante da dimensão do mercado local. Segundo a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), o país acumulava cerca de 63,7 GW de potência solar operacional no fechamento de 2025 — sendo aproximadamente 43,7 GW de geração distribuída (GD) e 20 GW de geração centralizada (GC). A fonte responde hoje por cerca de 24,5% da potência instalada da matriz elétrica nacional, consolidando-se como a segunda maior fonte do país.

O Brasil figura consistentemente entre os maiores mercados solares do planeta, e sua geração distribuída — sistemas instalados em telhados de residências, comércios, indústrias e propriedades rurais — é considerada a mais desenvolvida da América Latina, com milhões de unidades consumidoras atendidas e um ecossistema maduro de distribuidores e integradores.

É nesse ambiente que a Jinko construiu sua posição de liderança.

Trajetória no Brasil: da chegada em 2012 à liderança consolidada

A JinkoSolar ingressou no mercado brasileiro em 2012, ano em que o segmento solar passava por sua primeira consolidação regulatória no país. Diferente de muitos concorrentes que operavam somente via importadores, a companhia apostou, desde o início, na constituição de uma equipe local estruturada, que hoje abrange não apenas a área comercial, mas também serviços técnicos, logística, marketing e operações.

Os resultados dessa estratégia aparecem nos dados de mercado:

  • 2022 — liderança conquistada: segundo o Estudo Estratégico de Geração Distribuída da consultoria Greener, a Jinko foi a líder em volume de módulos importados pelo Brasil, com 3.065 MWp, o que equivaleu à primeira superação de 17,6% de participação de mercado — um fechamento de ciclo em um ranking com 71 marcas concorrentes, entre as quais as dez maiores respondiam por 81% do importado.
  • 2024 — manutenção do topo: a empresa entregou 3,02 GW em módulos no país, somando geração distribuída e centralizada, o que representa aproximadamente 17% do volume total do mercado nacional, mantendo a posição de liderança.
  • Presença no segmento de grandes usinas: desde sua chegada ao país, a Jinko já forneceu aproximadamente 7,9 GW em projetos de geração centralizada, entre empreendimentos em operação e em construção — o equivalente a cerca de 45% da capacidade instalada brasileira nesse segmento.

"Esse desempenho consolida nossa posição como líder de mercado e reforça nosso compromisso com o setor solar brasileiro." — Gervano Pereira, gerente de vendas da Jinko Solar no país, em entrevista à pv magazine Brasil.

Parcerias estratégicas: o caso Aldo Solar

Um dos pilares do sucesso da marca no segmento de geração distribuída é a parceria de longo prazo com a Aldo Solar, maior distribuidora de soluções de energia solar do Brasil, com participação próxima de 30% no segmento de GD.

Em dezembro de 2021, as duas empresas firmaram um contrato de 2 GW para 2022 — cerca de 4 milhões de módulos fotovoltaicos —, na época o maior acordo de distribuição de GD já assinado pela Jinko fora da China. Meses depois, em maio de 2022, um novo acordo de 600 MW da família Tiger Neo tornou o Brasil o primeiro mercado da América Latina a receber os módulos de tecnologia N-Type da fabricante. Segundo a empresa, acordos de Tiger Neo representaram mais de 60% de suas vendas no país já em 2022, evidenciando a rápida adoção da nova tecnologia pela base brasileira de revendedores e integradores.

A arma tecnológica: TOPCon e a família Tiger Neo

A posição de liderança da Jinko não se deve apenas à atuação logística e comercial. O fator decisivo tem sido a transição bem-sucedida para a tecnologia TOPCon (Tunnel Oxide Passivated Contact) de células N-type, comercializada sob a família Tiger Neo desde 2021/2022. A migração massiva da indústria de células P-type (PERC) para N-type TOPCon dominou o mercado global, e a Jinko largou na frente.

A geração mais recente do portfolio, o Tiger Neo 3.0, lançada no Brasil com exclusividade durante a Intersolar South America 2025 (São Paulo), resume a estratégia tecnológica da empresa:

Característica Tiger Neo 3.0
Potência (Utility / DG) até 670 W / 495 W
Eficiência máxima até 24,8%
Tipo de célula TOPCon N-type, plataforma Hot 4.0
Fator bifacial até 85%
Coeficiente de temperatura -0,26%/°C
Degradação <1% no 1º ano; ~0,35% a 0,4%/ano linear
Garantia 12 anos (produto, utility) / 25 anos (DG); 30 anos de potência

O desempenho advém de três inovações embarcadas na plataforma:

  • MAX: modificação na superfície traseira da célula que otimiza o transporte dos portadores de carga, elevando a eficiência;
  • HCP (Half Cut Passivation): camada de passivação nas bordas das células cortadas, minimizando perdas por recombinação comuns em células half-cut;
  • FP (Fourth-Parting): seccionamento da célula em quatro partes, reduzindo a resistência interna e melhorando a performance elétrica.

Segundo dados da empresa, mais de 120 GW de módulos Tiger Neo já foram comprovados em campo globalmente — um argumento de confiabilidade relevante para que a marca mantenha o status de box mover entre os distribuidores brasileiros. A Jinko projeta que a tecnologia TOPCon continue dominante em 2025 e nos próximos anos, sendo o recorde de laboratório em perovskita um passaporte para a próxima geração de produtos ao redor de 2030.

Desafios do mercado brasileiro e posicionamento da empresa

Apesar da liderança, a Jinko opera em um ambiente de pressão crescente, e seus executivos não têm poupado críticas públicas aos entraves locais:

  1. Imposto de importação: a elevação da alíquota de importação sobre módulos fotovoltaicos de 9,6% para 25%, na avaliação da empresa, "vai na contramão da meta do governo de posicionar o Brasil como líder na transição energética".
  2. Retração de mercado: segundo a Absolar, 2025 marcou queda de 29% na potência adicionada no país (10,6 GW contra 15 GW em 2024), com a GD respondendo por 7,8 GW — movimento atribuído a cortes de geração (curtailment), barreiras de conexão no sistema de distribuição, volatilidade cambial e os próprios impostos.
  3. Controle de qualidade: a Jinko defende fiscalização mais robusta sobre módulos importados de baixa qualidade, cuja potência real seria inferior à nominal — posição que, além do interesse orientado à qualificação do parque, protege os fabricantes tier 1.
  4. Regulação e rede pública: complexidade regulatória, atrasos de conexão de usinas, dificuldades de financiamento e o impacto do curtailment são citados como obstáculos estruturais à expansão.

No ranking de importações do primeiro semestre de 2025 da Greener, em que a Jinko aparece com 487 MWp em GD (segunda posição no TOP 10, atrás da DAH Solar), fica evidenciado que a concorrência segue intensa — mas que a marca permanece no patamar de líder consolidada, disputando o topo em um mercado em reajuste.

Perspectivas

Com a comemoração, em 2026, de 20 anos de fundação global e a colocação da nova família Tiger Neo 3.0 no mercado nacional, a Jinko reafirma o Brasil como peça central de sua estratégia latino-americana ao lado da Itália, sob a coordenação regional do executivo Alberto Cuter. A aposta é dupla: manter a liderança de market share na GD via alianças com grandes distribuidores e abastecer o segmento de geração centralizada, onde já respondeu por quase metade da capacidade solar de grandes usinas do país.

No horizonte tecnológico, a transição TOPCon → perovskita tandem, com recorde de eficiência de 33,24% registrado em laboratório, indica que a fabricante pretende preservar o diferencial que sustentou sua trajetória brasileira. Se o país retomar o crescimento de dois dígitos projetado pela Absolar até 2027, a Jinko estará novamente posicionada para capturar a maior fatia — como fez durante o boom da GD pós-Lei 14.300/2022.

Fontes

Artigo elaborado com base em pesquisa em fontes públicas, incluindo consultorias especializadas (Greener, Absolar), imprensa setorial (pv magazine Brasil, Canal Solar) e material institucional da JinkoSolar. Os dados de participação de mercado referem-se aos períodos indicados em cada fonte.

Na proposta, peça o modelo além da marca. Duas linhas da Jinko Solar podem ter eficiência, garantia e preço bem diferentes. O instalador que instala e homologa pesa tanto quanto o equipamento.

Outras marcas

Comparar placa solar · Todas as marcas de placa solar

Origem, grupo e presença no Brasil compilados a partir de materiais das fabricantes e de estudos de mercado da Greener (SED 2025 e recall de integradores de 2026). Rankings mudam o ano; o modelo na proposta vale mais que a posição.

Compare propostas com esta marca no papel

Simule pela conta de luz e peça orçamentos na sua cidade. Exija módulo, inversor e garantia escritos.

Simular orçamento